sexta-feira, 1 de julho de 2011

Enviados de Cristo - Chico Xavier

Esse triste companheiro, cujo passo te procura,
ralado de desventura que não sabes de onde vem.
Esse pedinte arrasado, por dores desconhecidas, emaranhado em feridas, sem proteção de ninguém
Esse amigo que lastima a própria ação rude e cega
no cárcere que o segrega para reforma e pesar.
Esse irmão largado à noite, de olhar magoado e profundo que roga debalde ao mundo,
o doce calor de um lar.
Essa mendiga que estende, pobre mão encarquilhada, cuja penúria da estrada, ninguém na terra traduz.
Esse doente cansado, que se lamenta sozinho, abandonado ao caminho, à míngua de paz e de luz.
Essa mãe de filho ao peito que em lágrimas se consome, às vezes com febre e fome,
rogando socorro em vão.
Essa criança assustada que chora sem rumo certo,
flor atirada ao deserto, anjo na cruz da aflição.
À frente desses amigos que o sofrimento encarcera, corações em longa espera, aplica-te ao “Não Julgueis”.
Eles não pedem censura, mostrando a necessidade, ensinam que a caridade é a Lei de todas as leis.
Esses irmãos quase mortos, eis que o céu no-los envia, na estrada do dia a dia, para as lições do Senhor.
Saibamos ressuscitá-los da morte em sombra, na prova, doando-lhes vida nova na escola viva do Amor.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Educai a criança - Chico Xavier




Um coração de criança
É uma urna de amor, de inocência e esperança.
É um jasmin em botão de imácula pureza
Perfumando o jardim do Amor e da Beleza.
É uma flor aromal.
Uma ave pequenina,
Que nos recorda a luz puríssima, inicial
Da morada divina!
Mas a alma infantil, como leiva de terra.
Guarda, cria e produz aquilo que ela encerra!
Coração original, terra pura e inocente
Que desenvolve em si a boa e má semente.
Se lhe deres o Amor que salva e regenera,
A esperança no Céu que se resigna e espera,
Os exemplos do Bem que esclarece e ilumina,
Os archotes da Fé que sonha e raciocina.
A lição do Evangelho em atos de bondade,
Os perfumes liriais da flor da Caridade.
A Verdade, a Luz e o Amor - a trilogia
Que compõe no Universo os hinos da Harmonia
Vê-la-eis produzir dessas espigas d'ouro
De um dos trigais de abril imensamente louro.
Se lhe derdes, porém, as sementes do vício
Tereis o pantanal, a chaga, o meretrício,
A ferida social que sangra, que supura,
Os venenos letais da Dor e da Amargura!
Em vez do sol que aclara uma vida sublime,
Vereis a lava hostil que favorece o crime.
Educai, educai o coração da infância,
Roubai-o da torpeza do mal e da ignorância.
Plantai no coração dos pobres pequeninos
As árvores do Bem cheias de dons divinos...
Elevai-os na Terra aos píncaros da Luz,
Com os exemplos de Amor da vida de Jesus!
O coração da criança
É um sacrário de amor, de inocência e esperança.
Ponde nesse sacrário a hóstia que transude
A chama da Verdade e a chama da Virtude
E tereis praticado o ensino do Senhor
Que fará deste mundo um roseiral de Amor!
Guerra Junqueiro
(Poema psicografado em 14 de julho de 1933,
em Pedro Leopoldo e dedicado a Júlio Leitão)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Em seu Auxílio - Chico Xavier



Conserve a própria fé, por tal modo,
que você não possa se afligir, excessivamente,
em nenhuma dificuldade.
Guarde otimismo, com tamanha elevação que
os contratempos da vida não lhe venham a ferir.
Habitue-se à tolerância com tanta fidelidade, que consiga se ver sempre na posição da pessoa menos simpática, evitando ressentimento ou a censura.
Cultive o amor ao próximo, com tanto empenho
que você não consiga fixar-se em qualquer aversão.
Creia na influência e na vitória do bem,
com tanta convicção, que não possa prender-se
à qualquer idéia do mal.
Sustente a própria compreensão, de tal maneira,
que não disponha de meios para ver inimigos e
sim amigos e instrutores, em toda parte.
Resguarde-se no trabalho, com tenta dedicação
ao bem, que não conte com qualquer ensejo
de atrapalhar os outros.
Faça o melhor que puder, em qualquer situação,
com tamanho devotamento à felicidade alheia
que não sofra arrependimento ou remorso,
em tempos de crise.
Atenda à harmonia, onde estiver, com tanta pontualidade, que não encontre motivos para
perder a própria segurança.
Consagre-se a descobrir o " lado bom " das
criaturas e das situações, com tanta pertinácia,
que não ache oportunidade para criticar a ninguém.
Se fizermos isso, estejamos certos de que assim venceremos.
Chico Xavier

terça-feira, 28 de junho de 2011

Desencanto - Chico Xavier



Também, Senhor, um dia, de alma ansiosa,
Num sonho todo amor, carícia e graça,
Quis encontrar a imagem cor-de-rosa
Da ventura que canta, sonha e passa.
E perquiri a estrada erma e escabrosa,
Perenemente sob a rude ameaça
Da amargura sem termos, angustiosa,
Entre os frios do pranto e da desgraça,
Até que um dia a dor, violentamente,
Fez nascer no meu cérebro demente
Os anelos de morte, cinza e nada.
E no inferno simbólico do Dante,
Vim reencontrar a lagrima triunfante,
Palpitando em minh’alma estraçalhada.
Hermes Fontes
psicografia de
( Chico Xavier 
)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Cultivando Paciência - Chico Xavier


Se você foi vítima de preterição em serviço, reconhecerá que isso aconteceu em favor
da sua elevação de nível.
Se perdeu o emprego ante a perseguição de
alguém que lhe cobiçou o lugar, creia que
alcançará outro muito melhor.
Se um companheiro lhe atravessou o caminho, atrapalhando-lhe um negócio, transações mais lucrativas aparecerão amanhã em seu benefício.
Se determinada criatura lhe tomou a residência, manejando processos inconfessáveis,
em futuro próximo terá você moradia
muito mais confortável.
Se um amigo lhe prejudica os interesses,
subtraindo-lhe oportunidades de progresso e ajustamento econômico, guarde a certeza de que outras portas se lhe descerrarão mais amplas
aos anseios de prosperidade e de paz.
Se pessoas queridas lhe menosprezam a confiança, outras afeições, muitos mais sólidas
e mais estimáveis, surgirão a caminho, garantindo-lhe a segurança e a felicidade.
Mas nunca persigas, não atrapalhes, não desconsideres, não menosprezes e nem prejudiques a ninguém porque sofrer é
muito diferente de fazer sofrer
e a dívida é sempre uma carga
dolorosa para quem a contraiu.
- Mensagem de Chico Xavier -

domingo, 26 de junho de 2011

Conquistar e Conquistar-se - Chico Xavier



Conquistar não é conquistar-se.
Muitos conquistam o ouro da Terra 
e adquirem a miséria espiritual.
Muitos conquistam a beleza corpórea 
e acabam no envilecimento da alma.
Muitos conquistam o poder humano 
e perdem a paz de si mesmos.
Necessário que o espírito se acrisole na 
experiência e na luta, valendo-se delas 
para modelar o caráter, 
senhoreando a própria vida.
Para possuirmos algo com acerto e 
segurança, é indispensável não sejamos 
possuídos pelas forças deprimentes que 
nos inclinam sentimento e raciocínio 
aos desequilíbrios da sombra.
Indubitavelmente, todos podemos 
usufruir os patrimônios terrestres, 
nesse ou naquele setor do cotidiano, 
mas é preciso caminhar com 
sabedoria para que o abuso não nos 
infelicite a existência. 
É por isso que sofrimento e dificuldade, 
obstáculo e provação constituem para 
nós preciosos recursos de superação 
e engrandecimento.
Todos os valores externos concedidos à 
personalidade, em trânsito no mundo, 
são posses precárias que a enfermidade 
e a morte arrancam de improviso, 
mas todos os valores que entesouramos 
no próprio ser representam posses 
eternas que brilharão conosco, 
aqui e além, hoje e amanhã...
Na esfera espiritual, cada criatura é 
aproveitada na posição em que se 
coloca e somente aqueles que 
conquistaram a si mesmos, 
nos reiterados labores da educação, 
através do suor ou da lágrima, 
do trabalho ou da renúncia, são capazes 
de cooperar na extensão do amor e da luz, 
cujo crescimento na Terra exige, 
invariavelmente, o coração e o cérebro, 
as ações e as atitudes daqueles que 
aprenderam na lei do próprio sacrifício 
a conquista da vida imperecível. 
Reflete naquilo que te falam, 
antes de te entregares 
psicologicamente ao que se te diga...
Chico Xavier

sábado, 25 de junho de 2011

Carta a minha mãe - Chico Xavier




Quis visitar-te o anônimo jazigo
Em que a humildade em paz se nos revela,
Contemplo a cruz, antiga sentinela,
Erguida ao lado de um cipreste amigo.
Busco a memória e vejo-te comigo;
Estamos sob o verde da aquarela,
Teu sorriso na túnica singela
É luz brilhando neste doce abrigo.
Recordo o ouro, Mãe, que não quiseste,
Subindo para os sóis do lar Celeste
Para ensinar as trilhas da ascensão.
Venho falar-te, em prece enternecida,
Do amor imenso que me deste à vida,
Nas saudades sem fim do coração.
Auta de Souza
(Soneto recebido pelo médium Francisco Cândido Xavier,
em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, na noite
de 12 de março de 1989, em Uberaba, Minas Gerais)